sábado, 18 de setembro de 2010

...o fio da navalha

Dia após dia ele fazia a mesma coisa, puxava da lixa fina, enrolava-a à volta do cabo do martelo ou da lima, e começava a afiar a faca, molhava a lixa dum pouco de saliva na ponta do dedo passado como uma caricia, e deslizava a lamina ora para a direita ora para a esquerda até obter na borda aquele brilho letal das espadas de samurai e o fio da navalha invisível de tão fino, de tão fio. Então, puxava para cima a perna da calça e logo acima da meia rapava alguns pêlos da perna, abrindo mais uma pequena clareira de brancura, conferindo a eficácia do corte. Acenava satisfeito enquanto sacudia os pêlos cortados, dobrava a faca e devolvia-a ao bolso.

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