segunda-feira, 18 de outubro de 2010

...na é...

Conversa de passagem, uma mulher ainda jovem fala para a amiga enquanto passam na rua


...na é?...é por aí...na é?...

...esprimido...

Conversa de passagem, duas senhoras passam apressadas


...esprimido...só lhe pagam porque... enfim...


Mr Bones






Anda nestes dias por Albufeira um turista (presumo eu) um pouco especial, ostentando um numero incrivel de amuletos dos mais diversos e inesperados pendurados de tudo o que é sitio da sua pessoa e que se faz transportar num veiculo eletrico, do qual parece não ter necessidade fisica, veiculo esse decorado mais ou menos do mesmo modo que o próprio que se vê nesta ultima foto.
Nas lojas circundantes tudo saiu à rua para ver este belissimo exemplar de requintado kitsch

domingo, 17 de outubro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Meter o nariz nas coisas dos outros...


Meter o nariz nas coisas dos outros é muito feio mas ninguem deve ter avisado esta Capitites Ramulosa e as cantárides estão tão entretidas que de certo não dão por nada


Foto: Luis Nunes Alberto

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Desconhecido nesta morada


Um belissimo livro que recomendo

...divida...

Conversa de passagem, duas senhoras vão distraidamente olhando as montras e conversando


...é verdade que tenho uma divida que não sou eu que a tenho...

...é o que é...

Conversa de passagem, um homem nos seus cinquentas passa a resmungar puxando nervosamente repetidas passas do cigarro

...são paneleiros... é o que é...são paneleiros...já os conheço...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

poema

Aquilo que corre lá longe
Não corre nem anda
Desanda
É o pó Ema.

Metáforas possiveis

Cada palavra é uma metáfora em si, é que a palavra não é a coisa, é a representação da coisa exterior à dita.
Palavras muito simples, por exemplo se eu digo "tu" ou "ti", construo fora de ti, e fora de mim, uma imagem, uma representação da visão que tenho de ti.
Tudo aquilo que escrevemos ou dizemos, ouvimos ou lemos, são metáforas. Até para reconhecermos e entendermos aquilo que vemos ou sentimos, temos que construir metáforas, representações estáticas ou dínamicas que nós possamos "manejar".
Tudo passa por aí, cada um terá mais capacidade de entender o mundo e de o expressar e comunicar consoante terá mais capacidade de elaborar e construir metáforas.

De facto cada um é as Metaforas possiveis, as que consegue construir.

A pausa

Conversa de passagem, a empregada da loja está à porta e a colega de frente pergunta:

...então vizinha veio dar um pouco à lingua? Não! é a pausa do pó...


domingo, 10 de outubro de 2010

...sede de mundo...


Esta sede de mundo, infinita sede, leva-nos à embriaguez da procura, à loucura de tudo e de nada
e o mundo, o universo e o seu reverso suspensos duma gota d'água, um mar nunca dantes navegado nem mergulhado...


Foto: Luis Nunes Alberto

Esta poesia mata-me...


Para os poetas em falta de inspiração aqui fica um pôr-de-sol irresistível, eu não resisti, desisti.


A poesia derrama-se pelo monte
Bela como o raio que a parta


Foto: Luis Nunes Alberto

sábado, 9 de outubro de 2010

...cortar o sono...

Os falatórios continuaram à sua volta e as piadas trocistas tambem, até já lhe chamavam o "afia-lapis" embora nunca o tivessem visto a afiar nenhum lápis com a preciosa faca.
Certo dia em que afiava mais uma vez a lamina com todo o cuidado, passando-a pela lixa fina ora dum lado ora do outro em gestos firmes e constantes, começou a falar sobre a faca sem que ninguem lhe pedisse nada, falava como se fosse só para ele, uma especie de monólogo, quase um fundo musical para a dança da lamina.
-Não entendem..., nunca poderão entender..., porque é que esta faca deve estar sempre bem afiada, não vêem..., como poderiam ver... ela corta no invisivel... ela corta o sono da tarde, aquele que sempre me atormenta depois do almoço, corta o sono às fatias fininhas e os sonhos nascentes também para que o vento os leve para longe... não, não entendem... mas é melhor assim...
-Pera aí, tu estás a dizer que cortas o sono às fatias?
-Sim corto, mas vocês não o podem ver
-Mas nunca te vi cortar nada... nem fazer o gesto de cortar... pões essa coisa no bolso e pronto
-São mistérios que não consegues ver nem alcançar
-Sabes uma coisa? Tu és completamente maluco! e riu-se alto em grandes gargalhadas.
Durante uns dias foi motivo de chacota de toda a vizinhança
Ah!!Ah!Ah!, cortar o sono ás fatias!!! Ah!Ah!Ah!
Ele não se impressionou com a troça, dia após dia continuou a manter o ritual de afiar a faca.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Era uma vez


Era uma vez num reino distante uma vez que tinha perdido a vez da ultima vez que a vez fora.
-Desta vez não vou deixar passar a vez diz a vez para consigo uma e outra vez, é que se perco outra vez a vez perco-a de vez.
Mas quando foi a vez, a vez já era.

Tradição

A tradição já não é o que era, as tradições tambem já não são o que eram. Muitas, diga-se de passagem, nunca foram até porque nestas coisas é bastante facil uma pessoa enganar-se, umas vezes cai o d, outras foi o d mesmo acrescentado para iludir o pessoal.
Já agora, que vem a talhe de foice, já que a tradição foi-se, quanto tempo é preciso pra fazer uma tradição? Isto parece-me um bocado como os fosseis, têm todos milhões de anos, menos dum milhão não serão fosseis?
As tradições tem que ter muitos anos ao que parece, mas quantos? mil, cem, dez, cinco, três, dois, um? Largadaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
No meio do trovejar e da fumarada acabo de lançar uma tradição pró espaço que estava livre aqui mesmo...

Escritores de gaita rija

Pois sim, escritores de gaita rija, é que neste caso trata se de escrever com esperma fresco a servir de tinta. Factos históricos.
Pormenores aqui

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O inventor de anedotas

Ele gostava muito de anedotas, a bem dizer era mesmo viciado em anedotas, consumias em quantidades apreciáveis, sabia muitas, contava algumas nem mal nem bem dava para entreter os amigos quanto baste. Mas acontece que as anedotas começaram a escassear, já não circulam por aí como andavam dantes, toda a gente contava a sua laracha, "já sabes a ultima?", "contaram-me agora ali uma do caneco". Já não se ouve nada disso, raramente aparecem piadas novas, já não voam, já não andam por aí.
Perante esta situação, vendo-se na eminência de morrer de tédio e tristeza, após longo estudo e profunda merditação, ele resolveu pôr as mãos à obra e começou a inventar as suas próprias anedotas. Umas mais toscas outras mais subtis, mais ridiculas ou mais profundas, lá foi conseguindo animar os seus dias e dar umas gargalhadas genuinamente regeneradoras.
Passou então a inventar as piadas, para de seguida se as contar e depois ria-se à bandeira despregada. Era frequente vê-lo desatar a rir desalmadamente sem razão nenhuma aparente, até houve muita boa gente que começou a interrogar-se sobre a sua saúde mental. Os amigos que já sabiam da história riam-se, esperavam alguns segundos, um minuto ou mais por vezes, que ele se acalmasse e contasse a anedota e riam-se outra vez.
Ele foi assim apurando a tecnica fazendo piadas cada vez com mais graça, mais humor, mais refinadas e sempre da mesma maneira, construía-as com todo o cuidado levando no processo todo o tempo necessário, depois contava-as a si próprio e ria alto e bom som.
Certo dia, enquanto atravessava em passo decidido a praça, ele contou-se toda esta história, contou-se a si próprio como se fosse uma anedota, achou que era tão risível, de morrer a rir mesmo, parou no meio da praça, riu, riu riu sem parar e caiu morto.
Ainda hoje paira entre os amigos como um fantasma, é com um misto de inveja e de temor que todos se interrogam sobre o mistério da ultima anedota... aquela de morrer a rir.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mémètica em movimento





Estas fotos foram tiradas em locais diferentes, em dias diferentes, mas em todas é visivel uma ligação especial entre os gatos e as esfregonas. Pelos vistos passou a ser moda esta parceria, só não dá para entender se são os gatos que se fazem às esfregonas ou se são estas que se põem num dolce fare niente nestas poses invulgares e provocantes para engatarem os gatos. Talvez uma contaminação mémètica de duplo sentido. Assunto a seguir

Esfinge da esfregona


Pois é os gatos e as esfregonas continuam num caso escaldante até parece uma contaminação tipo mémètica.

Nada

Aqui não acontece nada, nada de notável, logo ninguem toma nota, ninguém regista o nada que aqui não acontece.
O que não é registado não existe, nunca existiu, nunca existirá.
Quando se escrever a história do aqui, se alguma vez alguém tentar escrever tal documento, só poderá registar, relatar, contar, historiar coisa nenhuma, sim friso bem, nem uma. Alias nem o aqui tem registo, é o nada que acontece que faz os "aqui", os "agora" e os "sempre", o nada que não acontece não faz mesmo nada. Não faz história.

Se aqui acontecesse nada, nada disto acontecia

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Luis ene

Luis Ene, para alem de escrever e agitar as hostes escritoras tambem sopra as velas.


Conversa curta

Conversa de passagem apanhada na rua, podia ser noutro sitio qualquer? Poder podia mas não era a mesma coisa.
É uma conversa curta, pois é, no entanto tem tanto...


...a mãe? pai

Chouriço

Conversa de passagem apanhada na rua, uma mulher jovem ao telemovel e mais duas ouvindo a conversa.

...e ela não consegue?... coitada... mas é a sogra do chouricinho não é?...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Leãozinho


As inglesas á descoberta do leãozinho

Money

Conversa de passagem apanhada na rua dum casal de ingleses já entradotes

...have you got enough money left to pay the check in?...

...assim que as batatas

Conversa de passagem apanhada da mesa da esplanada dum café

...assim que as batatas estiverem boas salta-lhes em cima, põe-as no saco que o senhor está aqui aflitissimo...

domingo, 3 de outubro de 2010

Esfinge


O esfinge da esfregona

O esfinge na sua intemporal pose guarda a intemporal esfregona na sua improvável pose

Foto: Luis Nunes Alberto

Poesia no estado brutal


É mesmo assim, a força poetica da imagem apanha-me com um impacto brutal



Foto: Luis Nunes Alberto

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Afonso Dias

Afonso Dias lendo poetas e cantando na biblioteca Lidia Jorge em Albufeira no dia 30 de Setembro 2010.
Neste video a ler Guerra Junqueiro


Conversas de passagem

Os passantes vão rua abaixo, vão rua acima, sós, a dois, a três ou em pequenos grupos, eu vejo-os passar, observo distraído, admiro as figuras, os portes, as poses, as curvas, os movimentos ondulantes, as birras de pequenos e grandes e apanho conversas de passagem:

Ao telemovel

- ...nem é uma rotunda... aquilo não é nada... nem um pneu tem no meio do cruzamento, tem lá um poste, um pau... não é uma rotunda...

domingo, 26 de setembro de 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ritual afiado

Este habito peculiar de afiar a faca todos os dias pela mesma hora chamou a atenção dos colegas de trabalho.
-Essa faca vai acabar por ficar bem afiada
-Já está bem afiada
-Mas o que queres tu cortar com isso
-Nada de especial
-Então não precisas dela tão afiada pá
-Preciso sim
-Para descascares fruta? Ainda te cortas com isso
-Não se preocupem que eu cá sei
Ele não se queria alongar sobre o assunto, mas volta e meia a vizinhança voltava á carga. O ritual, cada dia mais formalizado levava a todo o género de comentários e de especulações.
-O que fará ele com aquela faca?
-O gajo é um pacato do caraças, não é de brigas nem desacatos, muito menos homem de faca...
-Tambem aquilo nem é faca nem nada, um canivete pequeno, nem dá jeito para cortar nada.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Esperança

-Estou sem esperança disse ele com ar triste
-Tambem as coisas não estão assim tão más pá, esta crise até está a ser suave e dizem que está controlada
-Estou sem a Esperança...
-Anima-te pá
-A Esperança pôs-me os cornos e fugiu com outro

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Porcelana

-Olha este tabuleiro tão giro, é em porcelana... e vai ao forno!
-Vai ao forno? Mas vai mesmo ao forno?
-Vai vai
-Interessava-me mais se pudesse ir por mim ao supermercado e soubesse escolher os melões.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ouvir no café

Falava-se de Vasco Graça Moura

-Cruzei-me com ele uma vez
-Com quem?
-Vasco Graça Moura
-Ah é?
-Muito perfumado, um pivete... bem o perfume era bom, caro com certeza , mas era demais percebes
-Pois quando é demais é demais
-Fomos os três no elevador
-Quem? Tu o Graça Moura e o perfume
-Não! ia outro gajo comigo... Bem aquilo não se aguentava... Devia ter acabado do pôr... Se calhar usou a técnica da nuvem
-Da nuvem?
-Vaporizas uma nuvem no ar e passas atraves enquanto ela vai caindo
- Caraças isso deve ser meia fortuna de cada vez, mas a ideia é bonita pá, assim um bocado romântica...

As coisas que se ouvem no café

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Obrigado senhor guarda

O guarda chegou e rapidamente acabou com o desacato para alivio de t odos

- Obrigado Sr Guarda!
- De nada, sempre às desordens

domingo, 19 de setembro de 2010

Lit.Algarve

Guia Algarve Shopping-Fórum FNAC - Sábado 18.09.2010, 15 horas
Concurso de dramatização de poemas

Ondina Santos a vencedora do concurso lendo um poema da sua autoria

sábado, 18 de setembro de 2010

...o fio da navalha

Dia após dia ele fazia a mesma coisa, puxava da lixa fina, enrolava-a à volta do cabo do martelo ou da lima, e começava a afiar a faca, molhava a lixa dum pouco de saliva na ponta do dedo passado como uma caricia, e deslizava a lamina ora para a direita ora para a esquerda até obter na borda aquele brilho letal das espadas de samurai e o fio da navalha invisível de tão fino, de tão fio. Então, puxava para cima a perna da calça e logo acima da meia rapava alguns pêlos da perna, abrindo mais uma pequena clareira de brancura, conferindo a eficácia do corte. Acenava satisfeito enquanto sacudia os pêlos cortados, dobrava a faca e devolvia-a ao bolso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

...de cortar á faca

Todos os dias, depois do almoço, uns trinta minutos depois de terminar a refeição, ele pegava na sua faca de bolso, um canivete vulgar, e, puxando dum pedaço de lixa fina, afiava-a com o maior cuidado até ao ponto dela cortar como uma navalha de barbear.

Pagar respeito


Fui hoje à praia pagar respeito à sinalização de alerta nas praias. Sim sim, pagar respeito, e digo mais, nunca mais lá vou, ficou-me bem caro, paguei 1 Euro por uma bica . Os ricos que paguem os respeitos e tudo o resto.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Patriotismo

Um belo exemplo de patriotismo galináceo, o amor a pôr...

Frases feitas

Ele só fazia frases feitas, passava dias nisso, com o maior empenho e atenção para não se enganar.

As frases já eram feitas, ele voltava a fazê-las, elas ficavam refeitas. De certo modo também as pessoas para quem ele as fazia ficavam refeitas do seu desgosto ao ver as frases feitas a seu gosto nas campas dos falecidos queridos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Anda por aí uma grande confusão entre a cultura e a arte.
Cultura é tudo o que é usos e costumes qualquer que seja a sua natureza, tudo o que é referência na história e na vida quotidiana dum povo
Arte é tudo o que tende a modificar a cultura, a romper com os canones establecidos, abrir novos caminhos.
Quando a arte é absorvida pela cultura (geralmente depois da morte do artista), mastigada engolida e digerida, quando se torna numa referência mémètica nos médias e nas mentes, então passa a ser cultura e afasta-se do seu autor.

terça-feira, 7 de setembro de 2010